Início do Fim

Capítulo 3

Um clarão esverdeado e fosforescente iluminou a atmosfera e do seu interior partiu velozmente uma bola de luz radiante, que foi se expandindo enquanto contornava o globo terrestre duas vezes, escondendo momentaneamente as gigantescas manchas solares que explodiam em direção ao planeta. O calor era sufocante, mas havia também o ar gélido, abafado e muito mortal.

O Grande Mar estava secando. Os antigos continentes se fundiram num bloco único – outrora entrecortado por rios e canais largos, profundos e navegáveis – transformando-se novamente em imenso continente, em uma nova Pangeia, oposta à antiga formação geológica. Depois aconteceu um tremendo terremoto e as terras foram se elevando em algumas partes; em outras, as águas do mar externo foram engolindo e levando junto grande parte das populações litorâneas. Os habitantes do continente atravessavam por transformações drásticas em circunstância das mudanças que aconteciam em seu meio ambiente. O maior prejuízo dava-se com a flora marinha.

Agora, as águas se encontravam no período de maré baixa. Defluxos prolongados deixavam à mostra vastas extensões de areias já fundidas em blocos silicosados que se perdiam na vastidão, para abruptamente precipitarem-se num abismo profundo e escuro, no qual existiam águas amareladas que borbulhavam golfadas de gases de enxofre para a superfície, e de onde podiam se ver, mais a distância, criaturas marinhas disformes, que lutavam para respirar o oxigênio quase escasso.

Novamente o céu é envolto pela luminescência esverdeada.

E como num embate lúdico, veio surgindo outra força desconhecida com uma claridade mais que ofuscante, quase cegante e azulada, precipitou-se sobre a luz verde, gerando um emaranhado de cores feéricas e tresloucadas, que antecederam um estrondo magnífico, ensurdecedor!

Milhares de vacúolos de ar explodiram, desenvolvendo um poder destruidor inumano, que sacudiu o planeta de um lado para o outro, e, à revelia, enquanto enormes rachaduras se abriram pelo solo lembrando chagas corporais. Uma montanha rochosa junto às línguas de lavas se elevou e desabou repentinamente, formando uma gigantesca muralha de água que avançou ameaçadoramente para a extensa e ressequida plataforma continental, contudo, foi perdendo a potência ao ser drenada, sugada pelas areias fofas e buracos que se formaram pelo caminho. Apesar da velocidade com que dominou a distância, sobrepujando os obstáculos mais à frente, não conseguiu alcançar o continente. E, quando novamente foi puxada num solavanco para o leito como se uma força bruta a mantivesse sob as rédeas, não restou quase nenhum resquício da massa líquida.

O céu, ora banhado pelas erupções solares avermelhadas, ora azulado, ora esverdeado, se transformou num inferno de fagulhas assustadoras e faíscas insanas que se espalharam sobre o solo após se colidirem. Uma reação em cadeia estava prestes a acontecer: a energia que fora acumulada como resultado de todas as outras energias, desencadeou uma força cataclísmica meganuclear pior de todas, e assumiu na estratosfera, o poder fatal da destruição!

Em princípio, relâmpagos explodiram em flashes silenciosos e perturbadores, que logo foram precedidos de violentíssimos raios, que se quebraram contra o Grande Mar em estalos fascinantes. Após um silêncio premonitório, as coisas desencadearam-se de maneira apavorante, com a ausência da gravidade, os grãos de areia, as pedras, objetos, veículos começaram a se elevar no espaço. Ao longe, um turbilhão de água se contorceu demoníacamente, carregando as criaturas marinhas para as alturas, de onde foram arrojadas violentamente para todos os lados.

No interior do continente, tornados colossais, como sorvedouros ao contrário, arremessavam para a estratosfera como petardos, tudo que encontrava pelo caminho. Essa mesma força geradora da tragédia se espalhou em ondas ameaçadoras, com um barulho sonoro, eletrônico, agudo e, ao mesmo tempo profundo, que foi destruindo, desintegrando tudo aquilo que se aproximava do seu vórtice. Explosões e erupções se iniciaram em todo o planeta. Lavas incandescentes brotaram de crateras incomensuráveis engolindo tudo ao redor, enquanto que fendas se rompiam pela superfície e se abriam em horrendas falhas, que se aprofundavam e se perdiam para o interior, enquanto iam se alargando por milhares de quilômetros.

O magma expelido em abundância vindo do interior da terra foi lançado com toda fúria para as alturas, criando estranhas formações rochosas acinzentadas. As erupções vulcânicas se tornavam mais ostensivas e diversos cones se elevavam escorrendo um líquido mais amarelado e com pequenas partículas azuladas. Das falhas saiam massas pastosas alaranjadas de altíssimas temperaturas que corriam para dentro do Grande Mar, de onde se elevavam grandes rolos de nuvens de vapor d’água e gases sulfurosos.

Um novo tremor abafado sacolejou o planeta durante uns 3 minutos e cessou repentino. E aquelas coisas que flutuavam no espaço, na estratosfera, de repente, se arremeteram contra o solo num tremendo estardalhaço destruidor. E quando o céu se tornou mais violento, as energias antagônicas acumuladas nas camadas da atmosfera entraram em descompassos deliberados, libertando partículas, magnéticas alteradas e em desacordes.

Os canhões termonucleares de energias magnéticas “TNEM” silenciaram.

As duas forças inimigas procuraram os abrigos de segurança. Muitos se esconderam em casamatas de monoblocos antiatômicos, outros se enfurnaram pelos buracos construídos nas próprias trincheiras, rezando para que “Ollar” os protegessem contra o inferno que estava se formando e que, com certeza, sobraria para eles.

 

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